Eu gostaria de contar uma história de humor refinado e alegria tocante sobre ser mãe. E te conquistar aqui, pra eu me sentir acompanhada. Mas estou de mudança de casa, e entre caixas e medos, eu não estou encontrando lugar pra mim. Eu sou mãe solteira, e nunca sonhei com isso, acho que não faz parte do plano de nenhuma garota, ser mãe solteira. Mas ser mãe sim, e o tempo se encarrega do resto. O tempo e a grande falta de oferta de homens com que você sonha ter um filho. Os desencontros escrevem histórias bem mais reais que os encontros. Os desencontrados escrevem bem mais. O fato é que irei morar com a avó materna de Francisco, que sim, é minha mãe, mas se tornou muito mais a avó materna de Francisco do que uma mãe. E isso me aterroriza, temos uma relação difícil, muito difícil, machucante, entre acusações e dores, e chatices. Tentarei não me estender muito nesses detalhes, e fixar-me na recompensa em ter uma avó por perto (que sim, é muito bom) e na nossa relação com Francisco, usarei esse espaço para registrar, para anotar e para me educar. Porque na verdade, quando a gente educa um filho, educa em primeiro lugar, a nós mesmos.
Hoje pedalamos em direção a uma atividade que seria também pra crianças, e claro, não era. Era um evento de bairro, com bandas alternativas que gritavam demais pra quem só ouve Palavra Cantada. Ficamos irritados, cada um a sua maneira,e em alguns pontos do pedalo de ida e volta, Francisco reclamou. Comecei a criar uma música pra ele e quero guardar ao menos a letra:
Tudo vai ficar bem...
Tudo vai ficar zen...
Tudo vai ficar.
Tudo vai ficar ar.
Tudo vai ficar água.
Tudo vai ficar terra.
Tudo vai cair fogo.
(agora tenho de lembrar e inventar o resto). Abraços e até a próxima.
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