segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pipoca meio doce e meio salgada

Antes eu tinha medo de dar pipoca. Parecia um alimento tão perigoso. Um dos meus grandes medos dos primeiros dias era o engasgo. E claro que pipoca não estava nos primeiros dias, acho que Francisco só provou pipoca com um ano e 3 meses. Ou seja, há 4 meses atrás. Lá pelos idos de um ano de idade, eu pegava só a parte macia da pipoca, a parte sem milho, bem fofinha, e dava bem pouquinho. A gente tem essa mania, de querer dar só a parte mole da vida pros filhos, temos de nos vigiar pra deixar rolar. A primeira queda, a primeira vez que dizemos não, a primeira pipoca completa, no saquinho, em mãos. E eu comprava a pipoca na porta da creche e pedia metade doce, metade salgada. E comia mais que ele, tá, confesso. Mas ontem ele não gostou da doce, fez um gestual com as mãos, que eu como boa capixaba vou ter de redundar no capixabismo: ele parecia engasturado. E agora eu peço, sabendo o que ele quer: de sal. Toda de sal. Não sei, aliás, sei que é exagero, mas me dá um orgulho de pedir algo que ele escolhe inteiramente. Porque ele exige a pipoca e agora fica claro também o jeito. É como parir vontades. Além de já ter parido uma gente, o que pra mim, ainda é um grande assombro.

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